terça-feira, 18 de junho de 2013

SEMANA 28 – Meus pais brigaram...

Nós bebes precisamos de muitas coisas. Uma das coisas mais importantes de que precisamos é uma mãe e um pai felizes. Hoje, eu vi a minha mãe e o meu pai brigarem, e fiquei apavorada. 

Se eles brigarem, o que acontece comigo? Eles perceberam e me disseram que não era nada demais. Os adultos brigam, e fazem as pazes. As crianças brigam também, e fazem as pazes também. Até os países brigam, e fazem as pazes. 

Eu queria que eles mudassem de assunto. E tive uma idéia: eu sorri. Descobri que sorrir é minha arma secreta. É só eu sorrir que mamãe e papai param o que estão fazendo e prestam atenção em mim! E atenção é o que nós, bebês, mais procuramos na Terra. Queremos que os pais, ou quem quer que seja que cuide da gente, nos dê atenção. Queremos sentir a garantia de que estamos sendo cuidados.

Eu acho que isso acontece porque temos medo de sermos abandonados.... Por isso eu gosto de estar perto da mamãe. E do papai. Com eles eu tenho certeza de que não serei abandonada. É por isso também que gosto de me grudar tanto no corpo da minha mãe. 

A gente aprende no curso de preparação para vir para a Terra que somos programados biologicamente para fazerem nossos pais nos amarem. E é um programa bem feitinho, pois normalmente funciona. Talvez, a ferramenta mais importante do sistema é o fato de sermos inteiramente dependentes quando nascemos.

Não fazemos nada sozinhos. Os adultos precisam fazer tudo: dar comida, dar banho, trocar a fralda....mas isso não é tudo.... 

Além de tudo isso que pertence ao mundo físico, a gente precisa de amor. Sobre o amor eu não preciso explicar, é igual aqui e aí: é querer bem ao outro. E o amor pode estar em qualquer lugar, aparece das formas mais diversas, mas é sempre o amor. Pode estar no peito, no abraço, no sorriso, mas pode também estar em trocar a fralda, em dar a comida e em dar o banho.

O amor pode estar em qualquer lugar. Por isso eu fiquei pensando: será que o amor também pode estar na briga? Ou será que quando a mamãe e o papai brigam, o amor vai embora?

terça-feira, 11 de junho de 2013

SEMANA 27 - Escola para bebês

Eu entrei na escola para bebês!

Eu imaginei que fosse parecido com a escola que a gente freqüenta quando faz o curso de preparação para vir para a Terra. Mas é totalmente diferente. 

Nós bebês temos um espaço grande para brincar. As professoras cantam e contam histórias.

Depois a gente come: são aquelas comidas coloridas que eu já conhecia de casa. E sempre com colher. Eles não deixam a gente tentar, e alguém nos dá comida na boca. Além da comida, cada um tem o seu berço. Tem também o lugar de tomar sol.

Eu gosto da escola, é divertido estar com os outros bebês. Eu não tinha amigos antes. Os outros bebês me entendem. Eles querem coisas muito parecidas com as que eu quero. Sentem coisas muito parecidas também. Divertem-se e choram assim como eu. Eu me sinto muito bem em estar entre eles. Será que é assim que a minha mãe se sente quando está no meio de outros adultos?

E agora eu tenho o MEU trabalho. Mamãe sai para trabalhar e eu saio para a MINHA escola. 

Como dizer? Agora me sinto em pé de igualdade! E isso está me ajudando a entender que minha mãe pode gostar e se interessar por outras coisas que não seja exclusivamente EU, e mesmo assim ainda me amar muito.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

SEMANA 26 - Quem trabalha onde?

Ando com menos raiva do meu inimigo número 1: vocês já sabem... o TRABALHO.

Talvez porque estou cada dia aprendendo coisas novas sobre ele.

Já entendi, por exemplo, que os adultos trabalham porque precisam organizar a vida na Terra.

Mas ainda não entendi como é que se decide quem trabalha onde.  
Será que cada um já vem sabendo o que deve fazer? E se todo mundo quiser fazer o mesmo trabalho?

Quando eu vou na pracinha com a mamãe, encontro vários bebês. E várias mães colocam vários brinquedos no meio de vários bebês. E o que acontece quase sempre: a gente quer o MESMO brinquedo.

As mães repetem: “com tanto brinquedo, vocês não precisam querer o mesmo!”

Eu fiquei pensando se com o TRABALHO dos adultos não acontece a mesma coisa. E se for assim, quem é que decide quem vai trabalhar onde?

terça-feira, 28 de maio de 2013

SEMANA 25 - Uma boa notícia!

Quando eu comecei a achar que minha mãe não gostava mais de mim - porque ela agora vive fora de casa com o TRABALHO - veio a revelação: minha mãe disse que preferia ficar comigo!!!!!!!!!!!!

Ela me explicou que voltou para o trabalho porque isso é importante pra ela também, mas disse que eu sou ainda mais importante! Aí tudo mudou... 

Ela prefere ficar comigo! O TRABALHO é um inimigo, mas não é um inimigo muito forte. Ela pode até passar o dia com ele, mas prefere estar comigo! Depois que ela falou isso, eu até parei de chorar quando ela vai embora. Eu entendi que o trabalho faz parte da vida dela. Mas eu sou mais importante. 

E daí eu pensei uma coisa: as EMOÇÕES valem mais que o TEMPO. Explico: o trabalho é o que as pessoas fazem para construir o mundo. E para isso é preciso TEMPO. O mundo precisa de muita gente trabalhando, durante muito tempo, para tudo acontecer. Quase tudo o que a gente vive no mundo físico vem do trabalho. A comida, a casa, as roupas: para tudo existir é preciso haver trabalho.

Mas aí eu fiquei na dúvida: minha mãe produz o leite que eu tomo. Isso é um trabalho. E é muito leite porque eu mamo várias vezes por dia.

Por que então ela tem dois trabalhos?

terça-feira, 21 de maio de 2013

SEMANA 24 - Minha mãe foi embora....


Minha mãe foi embora...agora só a vejo de noite...todo o dia agora é com o TRABALHO. 

Será que ela não gosta mais de mim?

No momento em que ela vai sair, eu choro. E mesmo assim ela vai embora.... ou seja, já aprendi que chorar não adianta.

Ela me diz que tenho que entender: os adultos trabalham. Não apenas os homens, as mulheres também. A minha mãe explicou que tinha parado de trabalhar fora de casa quando eu nasci porque no começo é muito importante a mãe ficar com o bebê. 

Nós sabemos disso melhor que os adultos:
1. Precisamos da nossa mãe porque é ela que nos amamenta.  
2. Precisamos da nossa mãe porque o processo de separação da vida da barriga é muito radical para nós.  

Mas ela explicou ainda mais: aqui na Terra existe aquele negócio que regula tudo: a Lei. E essa lei no país que a gente vive decidiu que as mães têm 4 meses para ficar com os seus bebês (mas a minha mãe conseguiu 6!). 

Esse pessoal da Lei deve ser bem sabido, pois conseguiram entender algo que eu não consegui: 
Por que 4 meses? 
E por que para todo mundo é igual? 
E se a bebê que mora ao lado ficar bem com 3 meses? 
E se eu e a minha mãe precisarmos de 1 ano????? 
Será que eles pensam que todos os bebês e todas as mães funcionam igualzinho??

Vou dizer o que eu penso: eu desconfio desse pessoal da Lei....


terça-feira, 14 de maio de 2013

SEMANA 23 - O Trabalho da Mamãe


Eu soube, recentemente, que a minha mãe trabalha fora de casa, e que parou de trabalhar quando eu nasci. 

Ela já tinha me explicado, e tinha falado também que voltaria a trabalhar em algum momento. (mas eu esqueci sobre essa segunda parte porque não gostei).

E então, nessa semana, isso aconteceu: minha mãe me disse que vai voltar a trabalhar na rua LOGO. Disse mais: que eu vou ficar com a Neide e quando eu aprender a engatinhar vou entrar na creche.

Creche é um lugar para bebês. Minha mãe disse que vou gostar porque tem muitos bebês e muitos brinquedos, é um lugar bonito, cheio de atividades divertidas.

Neide é uma moça muito boazinha que está sempre por aqui arrumando a casa. Minha mãe quase não sai de casa sem mim, mas quando sai é com a Neide que eu fico. Eu gosto da Neide, ela é muito legal, mas estou aterrorizada... esse trabalho da minha mãe parece ser um competidor muito desleal. 

Ela vai passar muito mais horas com ELE do que COMIGO. E por causa do trabalho, ela não vai ficar em casa. E por que ela não falou antes que seria assim?

A Neide pode até me dar mamadeira, mas e o peito? Eu sempre mamei o dia inteiro no peito!

Será que ela gosta mais do TRABALHO do que de mim?

Eu achei que já tinha passado a parte mais difícil e vejam só o que acontece agora...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

SEMANA 22 - A primeira papinha

Hoje, uma grande novidade: comi a primeira papinha. 

Eu não entendi bem pra que serve, afinal tenho o peito e a mamadeira. Só sei que de repente colocaram um negócio na minha boca chamado COLHER. É uma espécie de mamadeira, mas que carrega COMIDA. 


O que a gente toma no peito e na mamadeira é LEITE. Leite é BEBIDA. Descobri, então, que tem outro alimento, que é COMIDA. E dá muito mais trabalho. Eu achei complicado. Mas o gosto é até bom. 


Meu pai e minha mãe acharam muito importante a minha primeira papinha. Eles tiraram foto e contaram para a família inteira. Eu não comi não.... mas só no início, porque não entendia como usar a tal da colher.


E daí eu chorei  - eu tinha fome e o que queria mesmo era o leite. Então eles desistiram de insistir na papinha e me deram leite.


Mas eu já entendi que isso não vai adiantar sempre.... vou ter que aprender a comer essa tal de papinha.... 


Aliás, uma coisa é certa na vida na Terra: quando você acha que está adaptado à situação, tudo muda de repente. Toda vez que eu estou tranquila, vem novidade!



PRÓXIMA PUBLICAÇÃO: 13 de maio